Quando se fala em vinho fortificado português o que primeiro lhe vem à mente? Porto, ora pois!

Mas além dos Portos, Portugal tem uma infinidade de sabores, cores e nuances a serem descobertas, especialmente na Ilha da Madeira.

Conhecida pelos antigos como Ilhas Encantadas, a Ilha da Madeira fica a 640 km do Marrocos, no caminho dos navios que atravessavam o Atlântico.

Diz a lenda que quando os portugueses chegaram à ilha em 1419 eles atearam fogo na mata densa que deu nome à ilha. O fogo se manteve por anos e tornou o solo ainda mais fértil com as cinzas ali depositadas.

Os Madeiras são elaborados com uvas brancas. Podem ser secos (feito de sercial), meio secos (verdelho), meio ricos (bual) e doces Malmsey (malvasia). Os mais populares são os elaborados com a uva tinta Negra Mole.

São também conhecidos como “Vinhos de Torna-Viagem”, pois eram levados nas caravelas ficavamainda melhores. Foi por isso que os portugueses descobriram que essa exposição ao calor dos trópicos fazia bem ao vinho.

O Madeira hoje é submetido a um suave processo com fogo. Um efeito parecido com o calor tropical ao qual era submetido nas caravelas ocorre com o aquecimento do vinho a 50º C em estufas por pelo menos 3 meses. Quando é retirado, tem a combinação maravilhosamente revitalizada de calor, acidez e travo refrescante pelo qual todos os Madeiras podem ser reconhecidos.

Vou explicar melhor… Os vinhos são parcial ou totalmente fermentados (de acordo com a doçura) antes da fortificação com aguardente vínica a 95%. Em seguida são aquecidos lentamente. Os melhores envelhecem em toneis na alta temperatura ambiente da Ilha de Madeira por 20 anos ou mais, até adquirir os etéreos aromas e sabores madeirizados do lugar. Inicialmente os vinhos são envelhecidos nos andares mais altos e quentes dos armazéns e gradualmente transferidos para os andares mais baixos e frios. Em vinhos mais baratos os efeitos do longo envelhecimento são produzidos artificialmente com temperaturas acima de 50º C por, no mínimo, 90 dias.

O processo de amadurecimento extremo, em conjunto com a alta acidez natural das uvas, torna os madeiras muito longevos.

 
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 Para melhor apreciá-lo, acompanhe com sobremesas de sabor intenso, doces de amêndoas, avelãs, castanhas, chocolates, nozes, ameixas secas e bolo de café ou queijos.

Na foto harmonizei o Justinos 10 anos com Tiramissú e queijo gorgonzola.

 
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