Calma…Eu entendo vocês. É informação demais pra um pedacinho tão pequeno de papel.

São muitos vinhos e muita coisa escrita e a gente fica perdidão quando se depara com uma prateleira de vinhos, não é?

Mas tenho algumas dicas que podem te auxiliar na hora da compra.

Primeiramente é bom saber que os vinhos do Velho Mundo (Europa) dificilmente trazem o nome da uva estampado no rótulo. Isso porque a galera lá já toma vinho há tanto tempo e saber que em determinada região se produz tais e tais castas é praticamente natural. As legislações dos vinhos foram assim criadas e desta forma seguem, nominando as regiões e não a casta.

Já no novo Mundo o nome da região também aparece (repara aí no seu Malbec se não tem um Mendoza logo abaixo), mas é comum se trazer o nome específico das castas. Isso deixa a gente meio preguiçoso na hora de pensar em características e caráter de vinho, mas é assim que funciona…

Para que vocês tenham noção do quão nominar as castas é irrelevante para os europeus não é incomum achar vinhos portugueses que, em suas fichas técnicas apenas trazem: uvas viníferas portuguesas. Alguns produtores mal sabem – e nem querem saber – o que tem plantado ali. Mas sabem exatamente o que fazer (e muito bem feito) com elas.

Beleza… Passado esse breve esclarecimento sobre uva x região, que é uma das dúvidas que mais recebo pelas redes sociais e também em aulas, vale observar algumas outras dicas que podem nortear sua compra:

1. Nome do Produtor ou do Vinho: Um produtor pode nominar todos seus vinhos com seu nome, de sua vinícola e apenas diferenciá-los por alguma informação ou então criar linhas diversas para seus produtos (o que acontece geralmente em produções maiores).

2. Região: Indica a localização onde as uvas foram cultivadas e colhidas. Se o rótulo traz uma informação mais abrangente, apenas com o nome da região, significa que as uvas podem ter vindo de todo o espaço geográfico que ela compreende. Se traz mais alguma informação pode ser que as uvas tenham vindo de uma sub região específica ou, ainda, de um vinhedo específico. Quanto mais específico, menor a produção e maior o preço do vinho.

3. Safra: O vinho pode trazer ou não o ano da safra. Espumantes, por exemplo, em sua maioria são non vintage (não safrados) isso porque as legislações de produção permitem a utilização de diversas – geralmente três – safras de vinhos base para concepção do vinho espumante. Quando o rótulo traz a safra expressa significa que o ano estampado foi o ano de colheita das uvas utilizadas e não o ano de engarrafamento ou liberação ao mercado como alguns pensam. Safras são muito importantes especialmente em vinhos de mais alta categoria, mas isso é assunto para um post específico. Quanto aos espumantes, em especial, importante saber que os safrados ou vintage só são lançados em anos excepcionais, o que os torna bem mais caros.

4. DO, DOC, DOCG…: Falei sobre este tema num post anterior. Acesse aqui e confira.

5. Álcool: Quanto mais madura a uva maior sua concentração de açúcar. Quanto mais açúcar, mais álcool será produzido durante o processo de fermentação. Um vinho mais alcoólico, portanto, costuma ser mais “exibido”, com aspectos mais tropicais e de uvas mais maduras, o que, em geral, agrada muito aos paladares brasileiros.

6. Importante ter especial atenção a rótulos de Velho Mundo no que diz respeito ao cultivo, elaboração e engarrafamento dos vinhos. O fato de todo processo ter sido realizado pelo próprio produtor valoriza o produto e em termos gerais, pressupõe maior qualidade. Quando for comprar seu próximo rótulo europeu e se quiser um vinho que tenha sido elaborado em sua integralidade desta forma, procure pelas seguintes informações:

1. França: Mis en Bouteille au Château, Mis Bouteille a la Propriete ou Mis en Bouteille au domaine.

2. Espanha: Embotellat a la Propietat

3. Itália: Imbottigliato all’origine

4. Alemanha: Erzeugerabfüllung

Hoje temos a facilidade de consultar qualquer informação pela internet e isso ajuda muito. Na dúvida, busque a ficha técnica do vinho, corra para um tradutor on line, consulte amigos e, principalmente, não tenha medo de errar. Tem muito vinho bom para ser provado pelo mundo.

Até a próxima taça, Keli Bergamo

Ps. Post originariamente publicado no site Arquitetando Estilos.