Embora seja mais conhecida pelos destilados, a Rússia produz vinhos e eu tive a oportunidade de provar um bom exemplar nos últimos dias.

Segundo pesquisei, 80% dos vinhos vendidos atualmente na Rússia são meio doces. Os vinhos secos e tradicionais do país não agradam ao paladar dos locais, que normalmente preferem vinhos com menor acidez.

A oportunidade veio com duas amigas que estiveram há pouco tempo em Moscou e compraram dois rótulos para provarmos. Pediram uvas autóctones (para realmente entendermos o que é um vinho russo).

 

 

Para harmonizar, e sem saber muito o que nos esperava, fizemos um trio de bruschettas: tradicional, de cogumelos e de figo com presunto parma.

O primeiro vinho foi o russo. Extremamente aromático, nos remeteu a um Gewustraminer, mas com toques um pouco mais cítricos. Muito interessante.

O segundo vinho da noite foi um rótulo da Georgia.

O primeiro registro arqueológico de produção de vinhos é desse país e data de 6000 aC. Segundo Hugh Johnson em sua obra “Atlas do Vinho”, a constatação se deu pelos estudos das sementes, diferentes das sementes de uvas selvagens e foram encontradas em quantidades que não poderiam ser consideradas acidentais. É de lá ainda a técnica de utilização de vasos de barro, as ânforas, que hoje estão novamente em evidência com o aumento da produção de vinhos laranja e outros mais “rústicos”.
 

 

O rótulo provado foi de uma das mais tradicionais uvas do país, a Rkatsiteli, extremamente mineral, com mais corpo que o vinho anterior. Jancis Robinson define a casta como crocante. Impressionantemente bom.

Nenhum dos dois rótulos está a venda no Brasil, mas vale a prova quando estiverem pelas redondezas ou pela Ásia, onde os vinhos da Georgia são muito consumidos.

Obrigada Polly e Ilonka por me oportunizar conhecer esses rótulos.