Pesquisando para mais um projeto envolvendo os vinhos me deparei com uma matéria sobre mitos do mundo enológico que achei interessantíssima.

O que mais me chamou atenção foi o relativo ao modo de cultivo. Lá nos anos 90 (abafa o caso), quando visitei pela primeira vez uma região produtora, ouvi em todas as vinícolas: nossos vinhedos são todos em espaldeira. Tal afirmação era seguida de aprovação unânime dos visitantes e isso me levou a crer que não havia melhor forma de imprimir qualidade às uvas senão essa. Comecei a me interessar mais pelos vinhos e a estudar, mas os livros – em sua maioria – limitam-se a falar que é o modo mais utilizado e que é regra inclusive nas legislações reguladoras de DOs e DOCs mundo afora. Ou seja: Era o certo.

Pois bem, há algum tempo, conhecendo os vinhedos de um enólogo, pesquisador e apaixonado pela terra entendi que essa não é uma verdade tão absoluta quanto parecia.

Na verdade, em regiões onde há uma grande incidência de luz solar, incluindo alguns locais no Brasil, os vinhedos em latada – como esses da foto – oferecem proteção aos frutos, evitando queimaduras, amadurecimento precoce e outros problemas. As espaldeiras, por sua vez, inibem o aumento de umidade e proliferação de fungos em locais onde as horas de sol diárias não são tão altas (explicando superficialmente).

O que vemos é que os conhecimentos  físicos, químicos e humanos estão em constante evolução com o objetivo de tornar os vinhos especiais, cheios de personalidade e, principalmente, prazerosos a quem os prova.

Esqueçam as verdades absolutas, as papagaiadas repetidas,  as modinhas e divirtam-se com a infinidade de bons vinhos disponíveis.