Esse assunto é a modinha dos vinhos e vem causando discussões ferrenhas entre apreciadores, jornalistas especializados e todos os envolvidos, o que cansa até o mais paciente dos degustadores.
 
Por isso meu voto é no “tanto faz” porque, sinceramente, é muito difícil saber se o que se intitula “natural” o é exatamente assim. Eu quero é vinho bom, com preço compatível ao que oferece e elaborado por gente que ama o que faz, usando ou não SO2.
 
Para ser natural, todo o processo deve ocorrer com o mínimo de intervenção do homem. 
 
Segundo um amigo que entende muuuuuito do assunto, o primeiro passo é se vinificar a partir de uvas orgânicas. A fermentação deve ser espontânea, com leveduras das próprias uvas, não deve ser filtrado, clarificado ou estabilizado, etc. Enfim, milhares de questões que nós, como apreciadores, não temos como chancelar. O máximo que podemos fazer é acreditar no que dizem os produtores e curtir o vinho escolhido.
 
Mas se não me importo muito com isso porque esse é o tema de hoje? Por que provei um vinho há alguns dias que não se intitula exatamente natural, mas que dispensa algumas intervenções humanas e estava delicioso (e é o que me interessa).
 
HD de Hector Durigutti, um Malbec Reserva, safra 2010 de Mendoza, Argentina. As uvas passam por maceração a frio e fermentação com suas próprias leveduras durante 18 dias. Após, passam por fermentação malolática em barricas americanas e mais 10 meses “apurando” em barricas americanas e francesas. Levemente turvo, denso, com nariz um pouco rústico, mas boca afinadíssima, com toques de especiarias muito sutis.
 
Se todo o processo foi natural eu não sei. Não notei nada de diferente quanto aos “não naturais”, apenas achei um belo vinho que merece ser recomendado e que marcou nossa comemoração tardia do Malbec World Day.
 
E como diz Luciano Percussi em sua obra “É vinho, naturalmente. Em defesa do vinho orgânico e biodinâmico”:  “No fim as opiniões serão divididas, o que será um bem para o vinho que sempre fez, faz e sempre fará discutir os homens”. 
 
Até a próxima taça, Keli Bergamo. 

2 Replies to “Vinhos Naturais. Sim, não ou tanto faz??”

  1. Se passou por fermentação malolática não-natural, ou seja, induzida, já não é considerado 100% orgânico, não?

  2. Bom dia, Sabrina! Obrigada pelo comentário.

    Não necessariamente, pois as bactérias lácticas também podem ser "indígenas" e a malolatica pode acontecer naturalmente, sem estimulação.
    A Escola de Enologia de Bordeaux tem, inclusive, um estudo demonstrando que é mais comum acontecer a malolatica espontaneamente do que por intervenção.

    Quanto a esse vinho especificamente não há informação de a malolatica ocorreu por adição de bactérias láticas ou não.

    Um abraço, Keli Bergamo

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