Vinhas Velhas e Muitas Histórias.

por Keli Bergamo

Quando falamos sobre o papel das vinhas velhas na elaboração dos vinhos não temos uma cartilha exatamente definida.

Sabemos que, no geral, as vinhas consideradas “experientes” originam vinhos de maior concentração, equilíbrio e que isso seria uma sabedoria da planta adquirida pelos anos em que foi conduzida pelo homem a produzir com qualidade.

Geralmente se diz que as videiras são antigas quando passam dos 30 anos, mas também quanto a isso não há um conceito fechado. Apenas na Austrália existe uma classificação clara com nomenclaturas específicas a respeito: Old (Velhas – com pelo menos 35 anos); Survivors (Sobreviventes – com, no mínimo, 70 anos); Centenarians (Centenárias – mais de 100 anos) e Ancestors (Ancestrais – mais de 125 anos).

Mas hoje o assunto são videiras antigas sem intuito comercial em si. Existem registros pelo mundo de videiras que produzem há séculos e algumas estão ligadas inclusive a momentos importantes para o Cristianismo.

A foto em destaque retrata uma videira localizada na segunda maior cidade eslovena – Maribor – que segundo estudos, tem mais de 400 anos e apesar disso, de seus frutos (de 35 e 55 quilos da variedade Žametovkaainda) são produzidos anualmente 25 litros de vinho, os quais são destinados a presentear autoridades e celebridades que visitam a cidade.

A foto abaixo é de Cascia, na Úmbria, e sua longevidade é atribuída à Santa Rita de Cássia, que fez sua conversão após a viuvez e foi colocada à prova por diversas vezes em sua admissão na vida de doação. Para colocar à prova a obediência da noviça, a superiora do convento ordenou-lhe que regasse de manhã e à tarde um galho seco, provavelmente um ramo de videira ressequido e já destinado ao fogo. Rita não ofereceu dificuldade alguma, e de manhã e de tarde, com admirável simplicidade, cumpria essa tarefa, enquanto as irmãs a observavam com irônico sorriso. Isso durou cerca de um ano, segundo certas biografias da santa.

Um belo dia, as irmãs se assombraram: a vida reapareceu naquele galho ressequido, surgiram brotos, apareceram folhas e uma bela videira se desenvolveu maravilhosamente, dando a seu tempo deliciosas uvas.
E essa videira, velha de cinco séculos, ainda hoje está viçosa no convento.

Há ainda o registo da videira situada no Castel Katzenzungen em Prissiano (aldeia de Tesimo) no sul do Tirol, e que, segundo registros, tem mais de 350 anos. Lá é possível inclusive fazer colheita e outras atividades relacionadas ao vinho.

Conhece alguma delas? Conte aqui pra gente!

Até a próxima taça, Keli Bergamo

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