Madame Clicquot

por Keli Bergamo

Há 243 anos nascia Barbe-Nicole Ponsardin, filha de um importante político e empresário do ramo têxtil da cidade de Reims, no norte da França e um dos apoiadores da Revolução Francesa.

Em 1798, Barbe-Nicole casou-se com François Clicquot, por acordo entre as famílias.

Com o casamento, François ganhou o direito de dirigir a então pequena vinícola Clicquot-Muiron et Fils, que produzia entre 4 mil e 7 mil garrafas de vinho ao ano e aumentou a produção em quase 10 vezes, vendendo cerca de 60 mil rótulos em 1804.

No ano seguinte, François morre (com só 30 anos), deixando a esposa e uma filha de 6 anos, além de um negócio em constante expansão.

Viúva aos 27 anos e desolada pela morte de seu marido, Barbe-Nicole, agora conhecida como Madame Clicquot, decide assumir a administração da vinícola. À época, as mulheres não eram permitidas de trabalhar, votar, ganhar dinheiro ou estudar em universidades, mas ela recebeu o apoio do sogro para tanto.


Durante os anos seguintes, ela passa a estudar os processos de vinificação. No ano de 1811, durante as Guerras Napoleônicas, a França vivia uma grande crise, e a vinícola estava prestes a declarar falência. Para evitar que isso acontecesse, Madame Clicquot identificou que os vinhos de Champagne mais doces faziam grande sucesso na Rússia e resolveu investir nesse mercado, burlando inclusive a dificuldade de exportar os vinhos, levando-os até Amsterdã e lá os mantendo até o fim da guerra para envio, já que o transporte marinho estava bloqueado.

Em pouco tempo seus vinhos caíram no gosto dos russos e se tornaram os favoritos do Czar Alexandre I.

Além de seu claro potencial empresarial, Madame Clicquot também foi a responsável pela criação do processo de limpeza das leveduras que utilizamos até hoje. Antes, os vinhos eram transferidos de uma garrafa para outra, tornando longo e caro o processo. Com o “remuage”, ganhou-se tempo e logicamente, destaque frente a concorrência.

Até sua morte, em 1866, Madame Clicquot exportava vinhos para o mundo todo, incluindo Lapônia, Rússia e Estados Unidos. Isso foi determinante para a popularidade do champagne. Rebatizada de Veuve Clicquot, a vinicola hoje dispensa apresentações. 🍾🥂

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